Ainda discriminados socialmente, eles exercem função essencial na cadeia econômica

Representando um marco para um dos principais desafios enfrentados no Brasil, a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em 2010 trouxe à tona um debate importante: a realidade da reciclagem no país. Com o crescente aumento da população e das demandas socioeconômicas, era premente a criação de uma lei que regulamentasse e incentivasse a reciclagem.

Com isso, algo que antes não recebia a devida atenção hoje é tema central de políticas públicas que visam repensar a logística e o desenvolvimento sustentável do Brasil. No entanto, mesmo após 10 anos da criação da lei, os catadores de material reciclável ainda são grandes aliados do governo no que tange a coleta de resíduos urbanos.

De acordo com um estudo realizado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico no mundo. Se não bastasse a elevada posição entre os maiores geradores desse tipo de resíduo, o país recicla apenas 1% do que produz, que corresponde a 145.043 toneladas. Dessa forma, o Brasil se mantém atrás da Índia e Iêmen no ranking mundial de reciclagem, e atrás da média mundial, em torno de 9%.

O fato de reciclar apenas 1% do lixo plástico gerado mostra que, mesmo com a criação da PNRS, o Brasil ainda é carente de políticas públicas que estimulem a reciclagem em larga escala, assim como de parcerias que propiciem o desenvolvimento de novas tecnologias, como aquelas voltadas para o desenvolvimento de matérias-primas menos nocivas ao meio ambiente.

No entanto, mesmo com inúmeras barreiras no caminho para um planeta mais sustentável, existe um agente muito importante, porém pouco valorizado, que faz toda a diferença nessa cadeia: o catador de material reciclável. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o trabalho deles junto às cooperativas representa 90% do lixo reciclado no Brasil, e mesmo sendo composta por mais de 800 mil profissionais em todo o país, segundo dados do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a classe ainda sofre com a falta de regulamentação da profissão e a baixa remuneração.

Uma alternativa viável para estimular e auxiliar o trabalho dos catadores é o investimento na classe. Em parceria com a prefeitura municipal de São José dos Pinhais, o InPAR assinou um contrato de comodato com duas cooperativas locais. A ação entregou fragmentadores de papel, caçambas e trituradores de vidro, que irão ajudar no dia a dia dos profissionais, agilizando o trabalho, promovendo mais segurança nas operações e melhorando a qualidade de vida dessas pessoas. Essa foi a primeira ação realizada pelo Instituto em 2019, e diversas outras virão ao longo do ano.

Outra forma de auxiliar o trabalho do catador é a conscientização da população quanto ao descarte correto dos resíduos. A correta separação dos materiais economiza recursos naturais, facilita o trabalho do catador e, consequentemente, gera mais renda para ele.

Está na hora de a população começar a pensar de forma mais integrada. Todos os elos relacionados à cadeia de reciclagem são de extrema importância e devem ser valorizados como tal. A matemática não é tão complicada: quando poder público, poder privado e sociedade se unirem e fizerem sua parte, o resultado irá beneficiar a todos, com um planeta mais limpo, saudável e sustentável.