A colaboração de todos os entes é essencial para que a logística reversa e a reciclagem se desenvolvam no país. Essa foi a tônica do webinar promovido terça-feira (16) pelo Instituto Paranaense de Reciclagem (InPAR), em parceria com a Fiep, com o tema “Desafios e perspectivas para a reciclagem e logística reversa no pós-pandemia” e que contou com a presença de dois importantes especialistas nacionais, o engenheiro Edy Merendino e o advogado Fabrício Soler.

Em pouco mais de uma hora e meia, eles ressaltaram as mudanças do cenário em meio à pandemia e o que deve mudar para o futuro. O seminário foi o primeiro realizado e transmitido pelo InPAR em seu canal no YouTube. Nos próximos meses novos eventos serão promovidos na plataforma.

O advogado Fabricio Soler ressaltou alguns avanços em relação à legislação da logística reversa pelos estados do Brasil e deu destaque à Lei Estadual 20.132/2020 do Paraná, que exige a logística reversa para as empresas que vendem ao estado. Soler chamou a atenção ainda para o Decreto nº 10.388/2020 que estabelece a logística reversa de medicamentos, regramento no qual teve participação na fase de Consulta Pública e que, segundo ele, estabelece papeis claros às empresas e entidades envolvidas na produção e comercialização de medicamentos.

“A Normativa envolve os empresários que devem colocar dispensadores em farmácias para que os consumidores depositem as suas embalagens. E ele também envolve a participação de distribuidores e de fabricantes que devem dar a destinação adequada aos produtos.”, afirma.

A logística reversa é uma atribuição assegurada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, mas ainda encontra entraves para sua aplicação prática no setor produtivo. “Temos o exemplo do segmento de pilhas em que poucas fabricantes realizam a logística reversa. Isso acaba encarecendo o produto final e o consumidor acaba comprando os modelos mais baratos. No segmento das lâmpadas, a logística reversa já está embutida no preço para todas as fabricantes e isso funciona de maneira eficiente”, ressalta.

Apesar do cenário complicado, Soler afirma que o assunto está avançando no país, com o apoio de órgãos ambientais e do Ministério Público. Segundo Soler, é preciso que haja políticas de incentivo e fiscalização para que as empresas, distribuidores e fabricantes implantem mecanismos práticos. “Temos uma lei muito boa mas ainda há obstáculos para uma aplicação prática geral. Precisamos que a regra seja seguida por todos e envolva toda a cadeia trabalhando em conjunto, incluindo os consumidores finais. Dessa maneira, o custo será dividido e os benefícios serão gerais”, reforça.

A colaboração também é um elemento de grande importância para o setor da reciclagem, segundo o engenheiro Edy Merendino, secretário executivo da Plataforma Reciclar pelo Brasil, programa colaborativo de iniciativas de reciclagem pelo país. A plataforma atende 160 cooperativas em 21 estados do país e, desde a sua criação, já coletou mais 224 mil toneladas. A colaboração com a Reciclar pelo Brasil é uma das maneiras para que as empresas cumpram com as obrigações legais da logística reversa.

“Investimos na estrutura das cooperativas para que elas se tornem mais eficientes e rentáveis. Muitos dos resíduos coletados deixam de ser depositados no meio ambiente e são transformados em novos produtos. Acaba gerando novas riquezas, é uma prática sustentável e que gera empregos para muitas famílias”, enaltece ele.

Segundo Edy, a pandemia afetou fortemente a reciclagem, uma vez que a demanda por materiais recicláveis caiu e afetou também o preços dos resíduos. Até o momento, 23% das cooperativas ainda não voltaram a funcionar e parte delas ainda está operando de maneira parcial. Ao todo, 87% teve queda significativa na retirada em termos de preço e quantidade de material. O secretário executivo afirma que a crise deve modificar diversos processos também para o futuro.

“Teremos que adotar novas práticas, como uma limpeza mais contínua dos equipamentos, preocupação com os EPIs e a implantação de ciclos menores de trabalho. Também instituímos um manual de boas práticas e diminuímos a quantidade de visitas. Certamente, o trabalho será transformado para o futuro”, destaca.

Segundo ele, é preciso que haja uma colaboração por parte dos poderes público e privado no apoio às cooperativas e aos profissionais envolvidos com a reciclagem. Edy citou uma campanha de apoio aos catadores, mas afirma que ainda que a maior parte das cooperativas brasileiras não possui qualquer tipo de ajuda durante esse período.

“Com as mudanças na maneira como trabalhamos precisamos implantar novas práticas e fica difícil que as cooperativas arquem com esses custos. Faz parte das obrigações previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos os investimentos por parte do setor empresarial, mas sem esquecermos que as prefeituras e órgãos ambientais também têm que prever um plano de gerenciamento de resíduos. Queremos que todos esses entes enxerguem os benefícios desses investimentos e atuem de modo coordenado”, explicou.

Edy e Soler ainda falaram de aspectos técnicos ligados à separação de produtos biodegradáveis, à separação de materiais de acordo com suas especificações e à implantação de Unidades de Recuperação Energética como uma forma de destinação de resíduos.

Para conferir a transmissão completa da live acesse o canal do InPAR no YouTube.