No mês passado, falamos sobre a importância de reduzir a geração de resíduos descartados e da reutilização de embalagens. Essa tendência se acentuará no Brasil nos próximos anos. Na Europa já é assim. Lá empresas têm colocado o pilar da sustentabilidade na base de seus negócios. A empresa varejista Maria Granel, de Portugal, é um exemplo de estabelecimento comercial que vende produtos exclusivamente a granel e dispensa qualquer tipo de embalagem.

A loja também vende produtos 100% biológicos, sem substâncias geneticamente modificadas e que respeitam o solo e a natureza. Para isso, conta com uma cadeia de produtores e fornecedores também engajada com o compromisso com a sustentabilidade e promove políticas de inclusão de seus parceiros. A preocupação com embalagens biodegradáveis e a menor quantidade de resíduos possível também surgiu com as vendas online em 2017 e vem se ampliando cada vez mais.

Além da redução do volume de embalagens, outra opção a ser considerada é a sua reutilização nas situações em que isso é tecnicamente possível e autorizado pelas normas sanitárias e de qualidade. Esse é o caso das garrafas retornáveis, que podem ser utilizadas mais de 25 vezes. Esses sistemas contam com a adesão da parcela da população que tem consciência do impacto ambiental negativo gerado pelos atuais hábitos de consumo. Ainda que seja uma opção de difícil operacionalização, pode representar uma alternativa interessante para algumas cadeias produtivas, especialmente se as novas exigências de logística reversa impuserem custos muito elevados para as empresas.

Em 2019, a Euromonitor fez uma pesquisa global 30 mil pessoas em todo o mundo e apontou que 64% delas acreditam ser possível fazer a diferença melhorando suas escolhas de consumo, 61% estão preocupadas com as mudanças climáticas e 35% pretendem comprar itens de segunda mão para frear o descarte. Já no Brasil, uma pesquisa do Mercado Livre apontou que, entre junho de 2019 e maio de 2020, mais de 1,4 milhões de pessoas (crescimento de 55%) procuraram por produtos sustentáveis na plataforma. Entre março e maio, o número duplicou. Esses consumidores devem puxar o processo de mudança e de conscientização para um consumo mais sustentável.

Sistemas focados na redução e reutilização de embalagens podem ser interessantes para a indústria usuária, pois para algumas categorias de produtos o custo da embalagem tem peso significativo na composição do preço final pago pelo consumidor. No caso das garrafas plásticas retornáveis, por exemplo, o seu custo é pelo menos 30% menor em comparação com o valor gasto com Pets descartáveis.

Porém é preciso adaptar-se toda a cadeia de produção, distribuição e venda, contar com a parceria de todos os envolvidos, inclusive e primordialmente com os consumidores. Afinal, para modelos de negócios sejam sustentáveis não basta atender somente a dimensão socioambiental, é necessário que sejam economicamente viáveis.